terça-feira, abril 30, 2019

Guedes diz que somos 200 milhões de patos!

Em entrevista à Globo News, dia 20, o ministro Paulo Guedes afirmou que somos 200 milhões de patos. Independente do contexto,  houve um certo exagero ao generalizar a "patolândia". Que tem muito pato por aí, até concordo com o ministro. Mas por outro lado, se tem alguém que não devia falar dessa "patalhada" toda é o próprio Guedes.


O ministro chegou no governo com todo o poder. Os dias passam e os meses também. O desemprego aumenta e a pobreza cresce. Duas preocupações  diretamente ligadas a uma economia estagnada. A situação se agrava e a pauta continua sendo a mesma: a reforma da previdência. (*)


Para os patos de boa fé, cabe lembrar que a reforma em si não cria emprego e nem move a economia. A mensagem do governo de uma economia de um trilhão de reais em 10 anos, não passa de uma promessa. A "economia" prometida sai do bolso de cada pato que vier a se aposentar. Portanto, se trata de menos dinheiro na economia, restringindo  o consumo de bens e serviços. Simples assim.


Sempre procurei fazer o certo. Já estou aposentado por tempo de serviço e nunca pensei requerer aposentadoria proporcional na Câmara. Ao contrário de muitos que andam por aí, posso expressar minha opinião sobre a reforma da previdência sem qualquer constrangimento. Por isso, insisto: o problema é bem maior que a reforma.  


Se nada acontecer com a nossa economia no curto prazo,  Brasil corre o risco de virar uma Argentina. Em 2015, quando Macri se elegeu, fazia o meu pós grado na Universidade de Belgrano.  O dólar, que na época trocava por 15 pesos vale hoje 45 pesos. A inflação dos últimos 12 meses é de 54,7%. A miséria  nas ruas de Buenos Aires é visível. O governo está parado e a popularidade de Macri não para de cair.


Um dos mais respeitados jornais do mundo, o conservador Financial Times, na semana passada comentou que a Argentina "luta contra uma inflação recorde, desaceleração do crescimento e enfraquecimento da moeda". Segundo a matéria a Argentina é o segundo país com maior risco no mundo, atrás apenas da Venezuela (que ironia).


Assim como Bolsonaro, Macri não assume sua responsabilidade por uma economia estagnada que só faz crescer a pobreza.  Como aqui, Macri  prefere atribuir a crise financeira  ao passado. Se defende atacando os governos anteriores do fracasso da sua gestão.(* *)


O que nos diferencia da Argentina é a nossa reserva em dólar, criada nos governos anteriores. Diante da crise que estamos passando pode ser usada para combater  o desemprego e gerar renda.  Não custa tentar. O tempo corre contra nós.


(*) Em março o número de desempregados voltou a subir. Segundo o IBGE, nós temos agora 13,4 milhões de pessoas desempregadas. Para alguns analistas, o resultado é reflexo de uma economia "anêmica".  


(**)  As centrais sindicais da Argentina estão convocando uma greve geral para hoje. As principais empresas aéreas já anunciaram a suspensão dos seus voos.

    

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