A fumaça das queimadas está dificultando que muitos brasileiros enxerguem o buraco que se meteram. Assim como queimar florestas só faz bem para os que estão ganhando com a devastação, fechar os olhos para as ilegalidades também.
Nem sempre somos movidos pelos mesmos motivos, até porque não somos iguais. Portanto, se falta sensibilidade ambiental para alguns, nada melhor que convencê-los que por trás das tragédias estão os interesses obscuros. Para conscientizá-los precisamos tratar sempre com a verdade, ampliando o interesse pela crise de governança que enfrentamos. Ela vai muito além das questões ambientais e das "rachadinhas" que nos envergonham .
Em plena pandemia, com as pessoas já bem debilitadas, qualquer notícia se amplifica. Dependendo dela, o efeito é devastador. Na semana passada, por exemplo, circulou entre correntistas de alguns bancos a informação do "rendimento negativo". A realidade é dura e logo vai ser percebida. A insegurança sobre o futuro de suas economias nos banco acaba com qualquer um.
Para Paulo Guedes, que trocou conhecimento pelo humor, a explicação para o aumento no preço do arroz foi porque "os pobres estão comendo mais". Seu chefe, que se auto intitula um zero em economia, também já disse: "não vou tirar dos pobres para repassar aos paupérrimos". Sobre o dinheiro que está perdendo valor nos bancos, nenhum dos dois comenta nada.
Sem ser economista e muito menos banqueiro, posso dar algumas pistas sobre rendimentos negativos em fundos de renda fixa. Uma das preocupações dos analistas é em relação aos gastos do governo em 2021. Ao se confirmarem as projeções, o real continuará enfraquecendo e o investidor vai atrás de economias mais seguras. Com isso o dólar dispara, a inflação volta e o empobrecimento se agrava. Nessas horas quem se dana é você, caro eleitor/leitor. (*)
(*) Em 2019, sem a pandemia, o PIB foi um dos menores da nossa série histórica; 1,1%. Em 2020, com a pandemia, o PIB deve encolher 6¨%; portanto uma considerável perda de riqueza nacional. Em 2021, a dívida pública deve chegar a 100% do PIB; o Brasil passa a ser o mais endividado entre os países emergentes. Em 2022, eleições...
PS- Um pequeno trecho do "Coração teimoso", do poeta e amigo Dinovaldo Gillioli:
tem gente que ainda não enxergou
tem gente que ainda não entendeu
em que buraco o país se meteu
Um comentário:
Situação realmente difícil. Que as eleições municipais nos ajudem a lançar luzes nestas sombras. Obrigado Mauro pela lucidez e poesia.
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