segunda-feira, setembro 28, 2020

Voto tem consequência: a crise econômica e você

 A fumaça das queimadas está dificultando que muitos brasileiros enxerguem  o buraco que se meteram. Assim como queimar florestas só faz bem para os que estão ganhando com a devastação, fechar os olhos para as ilegalidades também. 

Nem sempre somos movidos pelos mesmos motivos, até porque não somos iguais. Portanto, se falta sensibilidade ambiental para alguns, nada melhor que convencê-los que por trás das tragédias estão os interesses obscuros. Para conscientizá-los precisamos tratar sempre com a verdade, ampliando o interesse pela  crise de governança que enfrentamos. Ela vai muito além das questões ambientais e das "rachadinhas" que nos envergonham .

Em plena pandemia, com as pessoas já bem debilitadas, qualquer notícia se amplifica. Dependendo dela, o efeito é devastador. Na semana passada, por exemplo, circulou entre correntistas de alguns bancos a informação do "rendimento negativo". A realidade é dura e logo vai ser percebida. A insegurança sobre o futuro de suas economias nos banco acaba com qualquer um. 

Para Paulo Guedes, que trocou conhecimento pelo humor, a explicação para o aumento no preço do arroz foi  porque "os pobres estão comendo mais". Seu chefe, que se auto intitula um zero em economia, também já disse:  "não vou tirar dos pobres para repassar aos paupérrimos".  Sobre o dinheiro que está perdendo valor nos bancos, nenhum dos dois comenta nada. 

Sem ser economista e muito menos banqueiro, posso dar algumas pistas sobre rendimentos negativos em fundos de renda fixa. Uma das preocupações dos analistas é em relação aos gastos do governo em 2021. Ao se confirmarem as projeções,  o real continuará enfraquecendo  e o investidor vai atrás de economias mais seguras. Com isso o dólar dispara, a inflação volta e o empobrecimento se agrava. Nessas horas quem se dana é você, caro eleitor/leitor. (*)

(*) Em 2019, sem a pandemia, o PIB foi um dos menores da nossa série histórica;  1,1%. Em 2020, com a pandemia, o PIB deve encolher 6¨%; portanto uma considerável perda de riqueza nacional. Em 2021, a dívida pública deve chegar a 100% do PIB; o Brasil passa a ser o mais endividado entre os países emergentes. Em 2022, eleições... 

PS- Um pequeno trecho do "Coração teimoso", do poeta e amigo  Dinovaldo Gillioli:

tem gente que ainda não enxergou

 tem gente que ainda não entendeu

em que buraco o país se meteu      

Um comentário:

Unknown disse...

Situação realmente difícil. Que as eleições municipais nos ajudem a lançar luzes nestas sombras. Obrigado Mauro pela lucidez e poesia.