Na Folha de hoje Clóvis Rossi escreve sobre exemplos recentes do fosso cada vez maior que separa os políticos da sociedade. No Brasil, o escolhido foi o prefeito Gilberto Kassab, de São Paulo. A pergunta que o colunista faz é se alguém está interessado em saber se Kassab vai ou não trocar de partido? Para o povo é irrelevante. Porque o povo sabe que não se trata de uma decisão preocupada com o interesse público. Kassab ameaça trocar de partido porque isso é do seu interesse e de mais alguns compadres políticos, nos lembra Clóvis Rossi.
De São Paulo, Clóvis viaja para o Egito. Novamente a história nos mostra e ele nos lembra que a intermediação entre a sociedade e o Estado, espaço que deveria naturalmente ser ocupado pelos partidos polítcos, foi ocupada pelas ruas, pelos manifestantes e pela esperança.
Na Itália, no domingo, as mulheres tomaram o lugar dos partidos políticos para organizar o primeiro grande protesto de massa contra o primeiro-ministro Silvio Berdusconi. Não se via nenhuma bandeira de partido colorindo a manifetação.
No México, pesquisa recente põe senadores, ministros e deputados numa vala comum, funda e distante da opinião pública.
Como se vê não se trata de um fenômeno local ou regional. São exemplos atuais de países distantes, culturalmente diferentes, cujos povos buscam na legitimidade de suas mobilizações expontâneas respostas que a política partidária cada vez menos está capacitada para lhes dar.
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