Já faz um bom tempo que deixei de registrar no blog notícias sobre o falado "mensalão". Sempre lia o que saia, mas não comentava. Acho até que fiz bem. No entanto, o que ocorreu na semana passada no Supremo merece ficar registrado. E nada melhor que o próprio editorial da Folha de São Paulo, publicado domingo, dia 01 de março. A Folha, como sabem, além de ser o jornal de maior tiragem do Brasil foi também um dos jornais que mais bateu no "mensalão". Olhem só o que a Folha disse, em editorial, do ministro Joaquim Barbosa:.
JOGO DE SUSPEITAS
"Quem acompanhou o julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal conhece a vocação do seu presidente, Joaquim Barbosa, para o destempero, a invectiva e o desrespeito. De novo inconformado com a opinião divergente - desta vez, na absolvição dos mensaleiros no caso de formação de quadrilha -, o ministro foi além.
No discurso em que promulgou o resultado da sessão, considerou apropriado lançar um "alerta à nação- brasileira". Prognosticou o início de uma temporada de absolvições, já que, em sua opinião, uma maioria circunstancial de membros da corte havia sido formatada expressamente para tal objetivo.
A referência era inequívoca Só faltou apontar o dedo para os novos ministros, Teori Zavascki e Luís Roberto Barroso, cujos "argumentos pífios" livraram José Dirceu e associados do crime de quadrilha.
Barbosa não contestou, assim, apenas os argumentos de ambos- que, de resto, concordavam nesse ponto com a ministra Cármen Lúcia, em geral firme na convicção condenatória. Deixou sob suspeita a própria composição do tribunal.
Pode-se perguntar que condições terá, a partir de agora, para conduzir julgamentos que, no seu raciocínio, pouco diferem das cenas de um teatro de marionetes..........."
E o Editorial segue mostrando sua preocupação em relação a crise criada pelas últimas manifestações do ministro Joaquim Barbosa. Quem diria, a Folha escrever o que escreveu.
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