terça-feira, outubro 16, 2018

O Chile aprendeu com a ditadura. E quanto a nós?

 Quando se cruza a cordilheira dos Andes é que se percebe a grandiosidade dela. Diante da dimensão das montanhas e dos vales profundos, nos vem a certeza de que não somos nada. Do outro lado dos Andes a bela Santiago, a capital do Chile.


Durante a ditadura, Santiago serviu de abrigo para muitos brasileiros. Depois veio a derrubada de Allende e a chegada do general Pinochet, iniciando um dos regimes mais violentos da América Latina. Não se tinha mais para onde correr, todos rezavam da mesmo cartilha: Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai. Tempos duros, que ninguém gostaria que voltasse. (*)

Por estar no Chile, onde amanhã dou uma palestra sobre o mercado brasileiro de energia fotovoltaica, recuperar um pouco dessa história faz sentido. Afinal, se trata de um vizinho. De costas para a cordilheira e de frente para o Pacífico, que pouco nos relacionamos. E por essa falta de uma maior curiosidade da nossa, é que desconhecemos as razões do Chile se apresentar como o mais promissor dos países latinos.

Em parte, imagino eu, muito se deva a estabilidade política do Chile. O regime democrático chileno não apresenta sinais de ruptura, mesmo com os contínuos mas  respeitosos enfrentamentos entre Michelle Bachelet e Sebastián Piñera. Lá os militares retomarem o poder, nem pensar.  (**)    

(*) Allende foi morto, antes de concluir seu mandato (de 1970 a 1973). Já o  general Augusto Pinochet governou o Chile, com mãos de ferro, por 17 anos (de 1973 a 1990).

(**) Quem conhece bem o Chile, afirma que o país se transformou. Aprendeu com  o bom debate, o respeito a cidadania, valorização da educação em todos os níveis e soube  incorporar inovação tecnológica em larga escala. 

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