Não existe fonte de energia mais democrática que a solar. Ela nasceu para todos. Chega onde as outras não chegam: numa ilha no meio do oceano, num povoado nos Andes, numa aldeia indígena no meio da floresta amazônica ou até mesmo numa estação espacial. E ainda por cima, é limpa e renovável. Só por isso já deveria ser tratada como prioridade por qualquer governo.
O Brasil, em particular, pela sua extensão territorial, alto consumo de energia e a sua boa insolação, ao meu ver tem todas as condições de liderar o mercado da energia solar fotovoltaica na América Latina. Isso sempre me pareceu tão óbvio que em 2007 criamos o Instituto IDEAL.
Muita coisa mudou de lá para cá. Em 2018 o Brasil dobrou a sua capacidade instalada, de 1.2 GW passamos para 2.4 GW. No entanto, ainda temos muito que avançar. Com todas as condições favoráveis acima citadas, ainda estamos longe dos países que lideram o ranking mundial. (*)
Apesar das iniciativas em curso para consolidar o mercado solar fotovoltaico, dentro e fora do governo as movimentações são outras. Na última semana os ataques vieram por parte da área econômica. Através de uma longa exposição de motivos, os economistas de plantão trataram de mostrar dificuldades onde não há. Em nenhum momento se preocuparam com a importância estratégica do Brasil nesse segmento. A geração solar distribuída irá mover o mundo nas próximas décadas.
Para chamar atenção sobre a presença dessa nova fonte de energia na matriz energética brasileira (menos que 1%), deram uma dimensão para o problema totalmente fora de propósito. O foco do estudo da área econômica induz a uma leitura equivocada sobre quem vai pagar a conta. Uma abordagem simplista sobre uma questão complexa de médio e longo prazo, que o Brasil - necessariamente - irá se envolver.
(*) A China em 2018 instalou 45 GW em energia solar. Quarenta vezes mais que o Brasil. Lidera o ranking mundial com 176 GW. Nada disso aconteceu por acaso. Basta não atrapalhar.
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