quinta-feira, julho 11, 2019

Reforma da Previdência: uma enganação

Após meses bombardeando e ameaçando que sem a Reforma da Previdência o Brasil não tinha futuro, o governo mesmo assim estava inseguro em relação a aprovação da reforma. As pesquisas de opinião mostravam uma sociedade dividida. Na véspera da votação, segundo o Datafolha: 47% a favor, 44% contra. E, entre os que apoiam: 73% são empresários e 57% já estão aposentados. Nesse primeiro grupo, ninguém faz plano para se aposentar; na segunda leva, todos os aposentados estão numa situação bem mais confortável do que os que virão a se aposentar. Simples assim.


Na quarta-feira, 10, dia da votação da reforma, depois de liberar quase 4 bilhões de reais em emendas para os deputados, veio o resultado: 379 votos a favor e 131 contrários. Ora, a "Casa do Povo", como gosta de ser chamada, preferiu não ouvir o povo. Caso estivesse preocupada com o sentimento das ruas, de acordo com as pesquisas de opinião, os votos a favor não poderiam passar dos 270.


Portanto, pelas mesmas razões, a reforma aprovada não deveria ser festejada como se viu no plenário. Reformas, ao longo do tempo, podem e devem ser feitas. Sempre focadas em reduzir desigualdades. Nunca para consolidá-las. A proposta atual  agrava em muito as desigualdades. Principalmente para a base da nossa pirâmide social: os trabalhadores em empregos precários, que não conseguirão se aposentar.


Outra enganação que veio no bojo de convencer desavisados que vivem num país tão desigual, foi associar a reforma com a criação de empregos. A crise econômica e o desemprego têm outra origem. Quando o governo opta por deixar idosos desempregados sem uma proteção social mínima, só resta lamentar: nunca comemorar como fizeram os 379 deputados.  O tempo de 10 anos estabelecido como horizonte na reforma é outra artimanha. Não se trata de uma questão temporal. A equipe econômica sabe muito bem que com milhões de trabalhadores na informalidade e 13 milhões de desempregados não há reforma que se sustente. Foi a crise econômica a causadora do déficit, e não o contrário. 


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