Com a velocidade das inovações, quem é da minha geração tem que fazer um esforço permanente para se manter atualizado. E mesmo assim, a sensação é de estar sempre desatualizado. Com o tempo, esse descompasso tende a ficar ainda mais visível. Uma alternativa para enfrentar essa realidade com naturalidade é estar de alguma forma envolvido com os jovens.
Recentemente me dei conta que nunca tinha feito uma compra pela internet. Minha filha já tinha trabalhado com isso 10 anos atrás. No condomínio da Universidade do Texas, onde o meu filho mora, pude observar o entra e sai de encomendas que chegam pelo correio. De repente me bateu a vontade de me sentir usuário desse mundo até então estranho para mim.
Aproveitando as promoções que chegam todos os dias pelos sites, identifiquei uma que me interessou pelo preço e pelo uso que vou dar. Depois de vencer a barreira inicial, veio a segunda etapa: a da espera. Marinheiro de primeira viagem, acabei dando uma atenção maior do que devia para a chegada da encomenda. Mas deu tudo certo.
As facilidades do comércio eletrônico vieram para ficar. Como sempre acho que não preciso de nada, a possibilidade de ficar nessa primeira experiência é grande. Grande também é o mercado chinês nesse ramo. Em 2019, a China vai movimentar US$ 1,5 trilhões. Uma loucura relatada por Tatiana Prazeres, sênior fellow na Universidade de Negócios Internacionais e Economia, em Pequim.(*)
A gigante chinesa Alibaba vendeu no dia dos solteiros na China (11/11), um bilhão de dólares em um minuto. Mais de 1,8 bilhões de pacotes foram entregues pelo grupo. A China sozinha tem um mercado de varejo online superior à soma dos dez maiores maiores mercados seguintes. São 855 milhões de consumidores digitais, nos informa Tatiana.
(*) Tatiana Prazeres é de Florianópolis. Formada em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC. E doutora em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília. É colunista da Folha, especialista no mercado da China.

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