quarta-feira, janeiro 14, 2026

Acordo Mercosul/União Europeia, nada é por acaso

 


Depois de três décadas e muitas incertezas quis o destino, que o Mercosul e a União Europeia se aproximassem e firmassem um acordo comercial histórico. Afinal, a União Europeia é o segundo maior parceiro comercial do Mercosul, movimentando mais de 100 bilhões de dólares/ano em negócios entre os respectivos blocos. Além disso, envolve cerca de 720 milhões de pessoas e um PIB superior a US$ 22 trilhões. Sem falar no fato mais relevante, na semana que Trump humilhava a Europa e ameaçava a América Latina.

A resposta dada pela diplomacia e não pela força, veio em boa hora. Os dois blocos que vinham de namoro decidiram firmar uma relação estável por uma série de interesses que envolvem relações comerciais e a geopolítica. Como nada é por acaso, o Acordo saiu porque tinha que sair. As duas partes envolvidas estavam sob ameaça e precisavam criar um foto novo de grande repercussão no mundo. Nasce um novo tempo de semear e colher, frutos de uma relação respeitosa. Que os nossos produtos ganhem em qualidade e em valor agregado.

A integração regional é um caminho longo, desafiador, mas necessário. Em 2003, como deputado federal por Santa Catarina no Parlamento do Mercosul, já tinha clareza que devíamos agregar novos países ao Bloco. Inicialmente trazendo o Chile e a Bolívia nos aproximando dos países Andinos e de um acesso fundamental ao Oceano Pacífico. O Mercosul ampliado é um projeto de Integração Regional.

 Em 2015, na Universidade de Belgrano, em Buenos Aires, com dois colegas uruguaios e uma argentina, nos dedicamos a apresentar e defender como monografia de final de curso, o ainda incipiente debate de uma América sem Carbono. No ano seguinte em Quito, no Equador, na Sede da Organização Latino Americana de Energia, como presidente do Instituto IDEAL, tive a oportunidade de destacar a importância do conhecimento como fator de Integração Regional, numa cerimônia de entrega de premiação de pesquisa na área de energia no nono Concurso ECO-lógicas voltado para as universidades da América Latina. 

Com o atual Acordo vamos construir juntos uma América Latina mais forte, incorporando ciência e tecnologia europeia de décadas, as imensas riquezas naturais do nosso Continente. Uma via de mão dupla com regras previamente estabelecidas, que vão permitir um trânsito de mercadorias lado a lado, quase que sem taxação alguma. Se vai dar certo, só o tempo vai dizer. No momento conturbado que atravessamos, o Acordo é uma luz de esperança. Até

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