Pouco se fala sobre comércio multilateral, Organização Mundial do Comércio - OMC (pela primeira vez dirigida por um brasileiro), acordos regionais e tantas outras questões (e discussões) que envolvem as relações comerciais entre nações. No Congresso, por exemplo, não é tratado como assunto relevante (até porque não dá voto). No mundo acadêmico, o tema também se restringe a algumas universidades. No mercado, os poucos e bons profissionais disponíveis estão ligados a empresas e voltados para os seus próprios interesses. Em razão disso, a situação do Brasil não é das melhores nesse campo. De certa forma deixamos a desejar em termos de políticas e estratégias para enfrentar um mundo cada vez mais globalizado.
Retomo o assunto porque nessa semana o futuro do sistema multilateral de comércio estará em discussão em Bali, na Indonésia. Lá, ministros de 159 países participam da nona conferência da OMC. O que tratam é sobre para onde vão trilhões de dólares que circulam no comércio global. As estimativas da OMC é que esse montante chegue a 4,5 trilhões de dólares em 2014. E desse valor boa parte está associado a economia chinesa. Em 15 anos a China se tornou o maior exportador e o segundo maior importador de bens e produtos. As reclamações contra o avanço chinês crescem na mesma intensidade. Os motivos alegados vão desde subsídios ilegais (os chamados "dumping") até a desvalorização artificial da moeda. O fato é, que: com o mercado interno que tem, a China pode traçar sua estratégia para o mercado externo com segurança e voracidade. Aliás, é o que já se observa em relação as energias eólicas e solar (vide meu comentário de sexta).
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