Já se foi o tempo que tinha acesso a presidenta Dilma. Hoje a distância que nos separa, por razões óbvias, é muito grande. Se tivesse um minuto de prosa com ela, eu diria: olhe para o sol. A energia que ele nos disponibiliza, e que não está sendo aproveitada, é a melhor de nossas alternativas. Com o calor que está fazendo, isso fica ainda mais evidente. A hora da ponta, como chamamos o momento máximo do consumo de energia elétrica, que historicamente no Brasil ocorria das 18 às 20 horas, passou para o meio da tarde - entre 14 e 16 horas. O motivo: ar-condicionado ligado. Antes o vilão era o chuveiro elétrico, de uso residencial (usualmente ligado no final do dia quando as pessoas chegavam em casa do trabalho). Já o ar-condicionado, mais associado ao consumo do setor de serviços, fica ligado a tarde toda. Para atender esse pico de demanda as usinas geram o máximo que podem. O pico foi registrado dias atrás, 83307 MW, segundo a ONS (Operador Nacional do Sistema)). As térmicas são acionadas e os reservatórios esvaziados. É o pior dos mundos, tarifa mais alta para cobrir as térmicas e falta de água nas usinas hidroelétricas. A causa principal - o calor associado a forte presença do sol. Se é o sol que está pondo em risco e exigindo o máximo do sistema, porque não usá-lo a nosso favor implantando usinas solares nas regiões de maior insolação. Só a China, no ano passado, instalou uma Itaipu de fonte solar. Se formos comparar o quanto já gastamos com diesel para atender nossas necessidades de energia, já daria para anunciar um ambicioso programa de usinas solares. A complementariedade dessa fonte limpa e inesgotável com a nossa matriz de base hídrica, é perfeita. O sol que castiga os reservatórios, reduzindo o nível de água, é o mesmo que pode estar gerando energia preservando o volume de água. Fica o registro.
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