Ontem, a Assembléia Legislativa de Santa Catarina realizou a quinta edição do Sustentar- seminário sobre geração de energia limpa e sustentabilidade. Sempre que me convidam participo do evento pela importância que tem. Antes da minha apresentação me chamou atenção a informação trazida pelo secretário Altino Ventura, do Ministério de Minas e Energia. Segundo ele, a China bota em operação um complexo Jorge Lacerda por semana. Para nós, algo impensável. São cerca de 800 MW de geração térmica a carvão implantados toda a semana. Um desastre ambiental para a China e uma ameaça ao planeta.
Provocado pela informação, automaticamente me veio a cabeça algumas projeções e preocupações em relação a necessidade de energia da China. Os números são impressionantes e o impacto ambiental que já estão causando na região, também. As fontes energéticas, como todos sabem, com exceção do vento e do sol, são finitas. Todo o país dependente de energia corre sérios riscos em relação a sua estabilidade política, social e econômica. A tão falada segurança energética, nada mais é do que assegurar que determinado país vá ter energia para se desenvolver e atender suas necessidades futuras.
No mesmo dia, como se fosse combinado, a manchete da Folha: "Em atrito com EUA, Rússia e China fazem acordo de gás". Lendo a matéria se percebe que por trás do acordo está presente uma questão de relação de forças das grandes potencias internacionais. Uma clara resposta de Putin em relação ao movimento de aproximação da Ucrânia com a Europa (e indiretamente com os EUA). Como já tinha comentado no blog, novamente na mesa dos grandes o prato em disputa é a energia.
O mega acordo firmado entre a Rússia e a China, prevê a construção de um gasoduto que levará o gás das grandes reservas russas na Sibéria até a China. O documento assinado na quarta-feira, representa um marco na aproximação entre Moscou e Pequim. São 38 bilhões de metros cúbicos de gás da Sibéria para China. O acordo é de 30 anos. O valor aproximado do negócio- US$ 400 bilhões. Resumindo: com energia não se brinca!
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