Na última sexta-feira comentei sobre a aproximação da Rússia com a China, a motivação: energia. As consequências, vão além da nossa imaginação. Muitas vezes se tem dificuldades de entender o que move as pedras do tabuleiro das relações entre países. No caso em questão, de grande repercussão no mundo, me parece tudo muito óbvio. Volto ao assunto, por duas razões: o interesse demonstrado pelos que acompanham o blog e o Editorial da Folha de domingo, sob o título Alinhamento Oriental (trecho abaixo), que avaliza meu comentário:
"Se a recém anunciada parceria entre Rússia e China mudará o equilíbrio global, com a criação de um polo oriental de poder em oposição aos EUA, só o tempo dirá. Já se sabe contudo, que o acordo de US$ 400 bilhões, pelo qual Moscou venderá gás a Pequim por 30 anos, representa uma derrota para a diplomacia norte-americana e uma inquestionável vitória para o autocrata russo Vladimir Putin. Não é apenas a cifra fabulosa que está em questão. De uma tacada, a Rússia consolidou uma aliança estratégica e assegurou uma alternativa ao mercado europeu de gás- ativo particularmente valioso para contornar sanções como as se seguiram à crise na Ucrânia". .......
"No plano geopolítico, o estreitamento de laços reforça movimentos de reconfiguração do tabuleiro global. Se a perspectiva de uma nova ordem bipolar já era considerável diante da trajetória da China, hoje segunda maior economia do planeta, ela se torna mais factível com a associação de longo prazo entre Moscou e Pequim, com poderio nuclear e direito a veto no Conselho de Segurança da ONU".
A pergunta que deixo, e o Brasil de que lado fica? De uma lado relações comerciais e diplomáticas antigas com a Europa e com os EUA, de outro lado China e Rússia são seus parceiros no Brics. Penso, que a resposta- só o tempo vai dizer.
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