domingo, outubro 02, 2016

Eleições 2016: o dia seguinte.

Não costumo escrever aos domingos. Nem sei bem porque. As vezes abro uma exceção. Hoje, por exemplo, em função das eleições cabe fazer algum comentário. Depois de um processo eleitoral curto e morno, graças a urna eletrônica, no final do dia já vamos conhecer os novos prefeitos e vereadores dos nossos 5.568 municípios.

Para os desavisados passada a euforia da vitória, o dia seguinte já vai colocar no colo do prefeito eleito a dura realidade das nossas cidades.  Embora em diferentes escalas, o problema é quase sempre o mesmo: cidades falidas e demandas crescentes. Em resumo, o prefeito vai estar sempre devendo.

Com o intuito de ilustrar a abordagem que faço, nada melhor que focar na maior cidade que temos: São Paulo. Se não me falha a memória terceiro maior orçamento do país: só fica atrás da União e do próprio Estado de São Paulo (mais de 40 bilhões de reais). E mesmo assim, a cidade agoniza. A qualidade de vida continua caindo, principalmente, em função da deterioração do espaço urbano.

Segundo Samuel Pessoa, doutor em economia pela USP e pesquisador, da FGV, os erros cometidos no passado, a partir dos anos 40, até 1968, quando os 300 km de trilhos para os bondes elétricos foram simplesmente retirados para dar lugar aos carros, afetam até hoje a mobilidade da cidade.  A decisão pelo transporte individual, não parou aí. Calçadas foram reduzidas para alargar ruas, expulsando os pedestres das ruas. O metrô, transporte de massa de todas as grande cidades, veio tarde e se arrasta na tempo (1,5km por ano). A implantação de ciclovias e faixas exclusivas para ônibus, cerca de 400km, também é recente.

A rica São Paulo precisa se movimentar e pede socorro. Seja quem for o próximo prefeito é bom que olhe para outras gestões que deram certo: Nova York, Londres, Tóquio. Ou quem sabe uma bem mais perto de nós, Bogotá. Só que nesse caso precisamos aprender a olhar para o outro lado dos Andes.

PS - Yuriko Koike, a prefeita de Tóquio, que está envolvida em preparar a cidade para receber a próxima Olimpíada, dá uma pista: "Tirar barreiras físicas é importante, mas é fundamental derrubar as mentais".

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