Lula e Bolsonaro: dois presidentes, dois legados
Enquanto Lula está há um ano preso, Bolsonaro completa 100 dias de governo. Tudo na mesma semana, dias 7 e 9 de abril. O primeiro está preso em função de uma armação que fizeram para não concorrer à eleição de 2018; o outro considera governar "um abacaxi".
Enquanto um está proibido de falar, o outro não consegue se expressar. O primeiro, sem internet para se comunicar, detido numa cela, administra a dor da solidão. O segundo, com todo o poder que tem, insiste em tuitar, como se fosse essa a forma de se governar.
Enquanto o que está preso vê crescer seus admiradores por todo o mundo, o que está livre assiste sua popularidade derreter. Para se proteger, todos que se opõem a ele viram alvo. Não sobra ninguém: a mídia, os jornalistas, ambientalistas, ONGs, "a politica antiga" (como se ele fosse o novo), os comunistas e todos os demais que só querem o mal do Brasil.
Enquanto Lula se dedicou à educação, com novas universidades e políticas públicas de acesso ao ensino para os que mais precisam, Bolsonaro nomeia para ministro da Educação Ricardo Vélez. A indicação partiu de um guru, "o bruxo da Virgínia". Em apenas 100 dias, Vélez transformou a Educação em piada nacional.
Enquanto Lula sofre as consequências de um power point sob encomenda e de delatores suspeitos, nossa imagem lá fora desaba. Nos dois mandatos de Lula, o Brasil era visto como "a bola da vez" entre os países emergentes. Agora, com Bolsonaro, seus filhos e o ministro Ernesto Araujo, viramos mico. Uma vergonha.
Portanto, Lula e Bolsonaro são dois presidentes que nada guardam em comum. Lula passou por dois mandatos, nunca considerou governar o Brasil "um abacaxi". Saiu com o mais alto índice de aprovação que um presidente já teve. Seu legado, já faz parte da nossa história. Quanto a Bolsonaro, segundo a pesquisa da Datafolha (7/4), só 32 % aprovam sua gestão, a pior avaliação de um presidente nos 100 primeiros dias de governo. Seu legado: um enorme abacaxi a ser descascado.
PS: A pesquisa Datafolha divulgada neste domingo, 06 de abril, nos remete para a pergunta que está na rua: Bolsonaro acaba seu mandato?
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