Outro dia comentei aqui no blog, a encrenca que é ficar sem luz.
Acredito, que só deva ser pior do que ficar sem água. Olhar para o futuro,
necessariamente, implica em abordar temas cujos efeitos se dão no longo prazo.
Diante do pragmatismo que move os governos, raramente a água é tratada com a
importância que tem na vida das pessoas.
No domingo passado, 31, por
coincidência, água e energia mereceram a devida atenção da Folha. A chamada da
matéria "Hidrelétricas gastam 4 vezes mais água que todo o consumo humano
do país", obrigatoriamente, nos leva a leitura. Foi o que fiz.
Um dos indicadores que mais me
preocupou, até por ser do setor, foi saber do alto índice de evaporação de água
dos reservatórios das hidroelétricas. Segundo dados da ANA (Agência Nacional de
Águas), órgão responsável pela gestão dos recursos hídricos, só a evaporação
representa mais de quatro vezes o consumo humano de água do país. Quem lidera o
consumo de água no Brasil, é o setor do agronegócio por conta da
irrigação. O abastecimento urbano, vem bem depois.
Com essas informações
levantadas pela ANA nos últimos anos, se tem agora condições de identificar os
desperdícios e propor medidas de uso racional da água. Imensos reservatórios
e áreas irrigadas, deverão receber uma atenção redobrada por parte das
autoridades. Os grandes centros urbanos e os processos industriais de alto
consumo, também. Sem falar na atividade de mineração, onde o uso da água
é intensivo. Quem não se lembra das recentes tragédias de Mariana e
Brumadinho, em razão do rompimento das barragens de rejeito.
A água é vida: por isso a
sociedade deve exigir mais controle no seu uso, para que amanhã não nos falte.
A preocupação que tenho e a reflexão que deixo, é se vamos conseguir despertar
consciências. Se por um lado o Brasil tem a maior reserva de água potável do planeta, também é verdade como o descaso com a preservação da natureza está presente entre nós.
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