segunda-feira, maio 06, 2019

"Não queremos outra Venezuela", diz Bolsonaro

As declarações de Bolsonaro em relação aos conflitos na Venezuela,  só servem para trazer insegurança na região. A diplomacia brasileira, historicamente reconhecida pelo bom senso, agora se movimenta  em outra direção: a de  alimentar conflitos.


Como prática de relacionamento internacional, uma temeridade. Abala toda uma construção de confiança de décadas. Os efeitos são imediatos e  desastrosos. Além de afetar as boas relações entre nações amigas, também dificultam os acordos comerciais.


Para nossa surpresa, do nada, Bolsonaro se saiu com essa: "Não queremos outra Venezuela mais ao sul do continente". A inconsequente declaração é uma clara referência a Argentina, nosso principal parceiro comercial na América Latina. A comparação só pode ter sido provocativa. Diferentemente da Venezuela, não há uma situação conflituosa na Argentina.


O que se observa por lá é um governo em queda, resultado da inflação e do desemprego em alta.  Aliás, nada muito diferente do que estamos passando por aqui (leia mais no blog 30/4). Bolsonaro sabe disso. Não devia ter falado o que falou. Expôs a fragilidade eleitoral do seu parceiro Macri, que busca a reeleição no próximo semestre.


Como nada acontece por acaso, ao incluir a Argentina numa futura situação de confronto em função de um resultado eleitoral, Bolsonaro dá sinais de que um resultado adverso nas urnas jogaria a Argentina num caos. A sua infeliz observação, é só para tumultuar. Primeiro porque não é verdade que haja qualquer semelhança entre a Venezuela e a Argentina; segundo porque não cabe ao presidente de um país vizinho se meter no legítimo processo de escolha que os argentinos farão em breve. Bolsonaro, como ele mesmo já reconheceu, não gosta de governar. Se elegeu tuitando, continua tuitando.... 

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