Depois de tanto descaso com o meio ambiente, o governo voltou atrás. Está mantido o encontro preparatório sobre o clima no mês de agosto, em Salvador. Sempre é bom lembrar que o Brasil abriu mão de sediar o encontro mundial, que agora vai ser final desse ano no Chile.
No Acordo de Paris, que somos signatários, o nosso compromisso com o fim do desmatamento criminoso na Amazônia é uma cobrança permanente. Só que aos olhos do mundo não estamos fazendo a nossa parte. Os recursos que nos chegam não são poucos. No entanto, o que se vê é falta de gestão e vontade política para preservar a floresta.(*)
O Fundo Amazônia, criado em 2008, tinha e tem como objetivo captar recursos internacionais para atender a um clamor global em defesa da floresta ameaçada. A tecnologia hoje disponível nos permite acompanhar em tempo real o avanço da cobiça dos homens sobre os nossos bens naturais. Enquanto as moto serras roncam, quebrando o silêncio da floresta, o atual governo emite sinais de desinteresse por adotar medidas mais efetivas no combate ao desmatamento criminoso.(**)
A pauta do novo ministro do Meio Ambiente é ainda mais preocupante. O foco agora passou a ser por uma nova concepção e gestão do Fundo Amazônia. Na última segunda-feira (27), o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, sem ter muito para apresentar, surpreendeu as embaixadas da Noruega e Alemanha, principais doadoras do fundo, sobre supostas irregularidades no uso dos recursos do Fundo.
Segundo a Folha, tanto a Noruega como a Alemanha nunca receberam das autoridades brasileiras qualquer comunicação sobre as supostas irregularidades anunciadas. O que mais preocupa é saber o que tem por trás da investida do ministro Salles sobre o fundo. Até porque os recursos do Fundo Amazônia são auditados desde 2010 pela KPMG, reconhecida por todos como uma das mais importantes empresas de auditoria do mundo. (***)
(*) Os recursos recebidos pelo Fundo somam: R$ 3,1 bi. Da Noruega veio 93,3% (R$2,9 bi). Já a Alemanha doou 6,2% do Fundo (R$192,7 mi). O restante, 0,5%, veio da Petrobras.
(**) A ação criminosa que se passa na amazônia é visível. Está nos noticiários, nos jornais e em conferências pelo mundo afora.
(***) Além do mal-estar com a Noruega e Alemanha, Salles também ficou mal na foto com o BNDES, responsável pela gestão do Fundo Amazônia. Sua intempestiva e inconsequente iniciativa levou ao afastamento do cargo Daniela Baccas, "funcionária do banco na área ambiental com reputação respeitada entre colegas". (Fonte: FSP)
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