domingo, setembro 01, 2019

Três histórias distintas de pessoas diferenciadas

Depois de uma semana pra lá de conturbada, uma "viajada" ajuda. Das três histórias que selecionei nesse final de semana para comentar,  nada há em comum entre elas. A primeira é sobre um empresário português e  seu legado; a segunda é sobre uma escritora que recentemente nos deixou; a terceira é sobre um decorador famoso e o seu mega projeto em São Paulo.

O comentário de Benedetto Conversano, no Linkedin, sobre Alexandre Soares dos Santos, empresário português falecido no dia 17 de agosto em Lisboa, me levou a conhecer um executivo que priorizava acima de tudo o bom convívio com as pessoas. De fala mansa, dialogava com todos. Durante cinquenta anos esteve à frente do Grupo Jerônimo Martins. Uma das principais empresas portuguesas, com mais de dois séculos de existência. Foi através dele que o grupo soube se adaptar aos novos tempos. Só para dar uma ideia de sua exitosa gestão, o faturamento no ano passado ultrapassou os 10 bilhões de euros. O senhor Alexandre, se diferenciava no meio empresarial. Costumava dizer aos seus pares: imposto é para pagar, contrato é para cumprir. Que diferença!

Quem também nos deixou nesse mês de agosto, foi Fernanda Young. Escritora, roteirista e atriz brasileira. Uma pessoa diferenciada. Polêmica, inquieta e criativa, Fernanda escreveu antes de morrer um texto para nos fazer refletir sobre a nossa sociedade careta. Intitulado "Os cafonas", sua leitura deveria ser obrigatória. Com inteligência e uma percepção critica da sociedade, Fernanda retrata com precisão o preocupante quadro da encrenca que a eleição passada nos deixou como legado. Para motivar a leitura reproduzo alguns trechos dos "Cafonas":

- "A cafonice detesta a arte, pois não quer ter que entender nada. Odeia o diferente, pois não tem um pingo de originalidade em suas veias. Fala o que pensa, principalmente quando não pensa. O cafona quer bajular o poderoso e debochar do necessitado. O cafona quer ser autoridade, para poder dar carteiradas." 

Por último um pouco da história de um dos mais famosos design do mundo, Philippe Starck. Um francês que atualmente mora em Portugal, mas está debruçado sobre um grande projeto em São Paulo: o complexo Cidade Matarazzo. A obra está sendo feita no antigo Hospital Matarazzo (1904),  e quando pronta terá 150 mil metros quadrados de área revitalizada. Em entrevista à Folha, Starck, 70 anos, se mostra distante do glamour de suas obras. "Sou uma pessoa estranha". Recolhido, se acha um pouco autista. De onde vem sua genialidade, nem ele sabe dizer. Só sabe que tem que criar, "sou uma máquina de criação". E completa: "Meu vício é o trabalho. Não tenho paciência para outras coisas". E, conclui: "Eu não tenho vida, só sonho". Vive recluso, em sua casa em Cascais, com sua mulher,  sua filha e seus sonhos.




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