quinta-feira, abril 03, 2025

Nos EUA a ficha caiu

                                                                        Foto: Reuters (02/4/2025) 

Nos EUA a ficha caiu: Trump é um problema dos americanos e como tal deve ser tratado. Segundo a Agência de notícias Reuters, sua popularidade vem desabando. Os americanos não estão nada satisfeitos com as ameaças do presidente. A sua última aparição, dia 2, festejando as novas taxações só recebeu aplauso dos amigos mais próximos. Os EUA importam cerca de 50% de tudo que consomem, com essa medida o impacto vai atingir diretamente o custo de vida dos americanos. (foto acima)

Os argumentos de que com isso aumentaria a competitividade dos produtos americanos no mercado interno, não se sustentam. A inflação, que já está alta, vai subir ainda mais, e o poder de compra do americano vai cair. Com isso sua popularidade vai sendo consumida e o humor do consumidor também.  Os economistas de lá nessas situações costumam usar a expressão, "It's the economy, stupid." 

Como a promessa de campanha de produzir internamente as necessidades do país ainda está muito presente, a pressão é grande. Afinal, não é uma tarefa fácil, "Make America Great Again". Muita coisa mudou e Trump não percebeu. Os americanos já se deram conta que isolar o país é o pior dos mundos. O sonho prometido está ficando pelo caminho, não tem como criar uma Nova América hostilizando vizinhos e antigos parceiros. (*) 

Para piorar o humor da Casa Branca veio o surpreendente resultado da eleição para a Suprema Corte de Wisconsin, onde a juíza Susan Crawford venceu por larga margem o candidato conservador Brad Schime, apoiado por Trump e pelos dólares de Elon Musk. Como os estados são autônomos, com a derrota se formou na Corte uma maioria progressista. O recado que fica para o cidadão americano, é a volta do "Yes, we  can". Uma jovem mulher, juíza federal, reconhecida por ser progressista, venceu com sobra o homem mais poderoso da nação. O resultado abalou profundamente o mandato que se inicia. 

(*) Na eleição passada, a vitória de Trump só ocorreu porque o governo Biden foi muito ruim. Nos EUA, democrata não vota em republicano e nem vice-versa. Como lá o voto não é obrigatório, o que aconteceu foi o visível desinteresse dos democratas irem às urnas. Deu no que deu.  

PS - No caso do Brasil o governo vem administrando a crise global com responsabilidade e a devida cautela. Se deu bem politicamente quando o Congresso Nacional, Câmara e Senado, rapidamente fecharam questão em relação a autonomia do país, ao livre comércio e as regras de reciprocidade adotadas pelo governo.     

domingo, março 09, 2025

"VAI PASSAR", de Chico Buarque (*)

Na última segunda-feira, dia 3, depois de um palco montado na Casa Branca, Trump leva adiante seu plano: suspendeu qualquer tipo de ajuda militar à Ucrânia. Ele sabe perfeitamente o que isso significa, uma guerra sem armas e sem dinheiro acaba. Uma outra leitura à ser feita dessa nova relação dos EUA com o conflito armado que já dura três anos entre Rússia e Ucrânia, foi a visível aproximação de Trump com Putin e o afastamento  gradual dos EUA com seus históricos parceiros, os países membros da União Europeia. Em um mês o que se viu foi um comportamento típico de quem gosta de jogar. Na próxima semana tudo pode mudar. Como nada é por acaso, vai passar. 

Uma guerra de origem suspeita, criada para durar um mês perdura no tempo. Quando passar, a população vai cobrar. Enquanto Zelensky viajava pelo mundo, ela convivia com mortes e escombros. Na primeira semana do conflito cerca de 2 milhões de civis já tinham deixado a Ucrânia, hoje são 10 milhões. Ao contrário que Zelenski apregoava, não havia um clima de morrer pela pátria. No fundo os ucranianos não sabiam direito o que estava acontecendo. Quem criou a hostilidade foram os próprios governantes autoritários dos países envolvidos. O que antes Zelensky falava como apoio militar, agora virou conta para pagar. O custo dessa guerra vai ser alto, aguardem: só está começando.

Com a posse de Trump, a um pouco mais de um mês, o mundo mudou. O que se tem hoje é uma insegurança total. Os históricos países adiados dos EUA e mais Zelenski,  ficaram sem rumo. Trump trouxe para si as cartas do jogo. A conversa com Putin, por exemplo, foi entre gente que se conhece de outros "carnavais". Segundo Bill Browder, CEO e Fundador do Hermitage Capital Management, uma relação que se fortaleceu na eleição de 2016, quando Trump venceu Hillary Clinton. A entrevista na íntegra está disponível, na Folha, 3/4/2022, página A19. Vale a pena ler. Afinal, nada é por acaso.

Desde o primeiro momento do conflito registro no blog De Olho no Futuro, a insanidade dessa guerra. Rússia e Ucrânia são bem mais que dois vizinhos, por muitos anos fizeram parte da mesma nação. O parentesco atravessa fronteiras, o povo nunca quis essa guerra. Lideranças politicamente enfraquecidas enxergaram no conflito a possibilidade de se fortaleceram no puder. Às vezes pode até dar certo, só que essa mudança radical dos EUA em relação a guerra não estava no roteiro. A OTAN, sem o seu principal aliado ficou sem chão. A Europa fragilizada como está, não tem condições políticas e econômicas de cumprir o que está prometendo.  Quem já percebeu esse vazio de liderança foi Macron e já dá sinais que está se movimentando para ocupá-lo.  

Quanto ao Brasil, no campo da diplomacia o país deu uma grande guinada. Felizmente saímos do atraso da era do "puxadinho" e voltamos a ter protagonismo fora das nossas fronteiras. Como todos sabem é lá que Lula se supera, adora o que faz. Se relaciona muito bem com os principais players globais. Sem titubear se colocou contra as guerras em curso, mostrando o compromisso do Brasil com a paz. Com determinação agilizou e viabilizou o Acordo Mercosul/União Europeia. Como um dos criadores do BRICs ampliou e fortaleceu o banco. Presidiu o G20 em época de turbulência e  fez crescer nossa Balança Comercial. Para uma liderança da América Latina é um legado significativo. .

De olho na questão ambiental, a país irá sediar a COP30. Portanto, sua agenda externa é atual e do bem. Um desafio e tanto, justamente no momento que os EUA, por opção, se afastaram de todos os eventos, organizações e fóruns globais que tenham algum tipo de relação com essa temática. Uma das primeiras medidas anunciadas por Trump foi mostrar sua indiferença às questões climáticas e ambientais, o que sem dúvida irá impactar diretamente na COP30. Por outro lado, como cresce um sentimento de que o mundo não gira ao redor de Trump, os demais países podem responder dando mais atenção à COP30. O próprio Papa Francisco, mesmo com as dificuldades de saúde que atravessa, tem orientado a Igreja na inclusão da Campanha da Fraternidade deste ano - a busca de conscientizar os fiéis e a sociedade sobre a importância de cuidar da relação harmoniosa entre o ser humano e o meio ambiente.(**)

Para quem acompanha o lado sério da política percebe o tamanho dos desafios que um mundo virado de cabeça para baixo está a nos exigir. No nosso caso em particular a intolerância de uma oposição local sem noção, já ultrapassou todos os limites. Como estamos num país tropical bonito por natureza, o ódio "vai passar". Afinal, acabamos de mostrar para o mundo do que somos capazes de fazer. Todos viram em tempo real a maior festa popular do Planeta, o Carnaval. Que se aprenda com ele, só chegou onde está por uma única razão: os envolvidos remam juntos. Sempre procurando fazer com que o próximo Carnaval seja  melhor que o do Ano anterior. Essa é a magia do Carnaval. Simples assim.

(*) "Vai Passar" é um samba enredo de Chico Buarque, de 1984. Em plena ditadura, uma obra prima. No domingo de Carnaval quando blocos e escolas desfilavam, o Brasil inteiro festejava nosso Oscar de melhor filme estrangeiro. "Ainda estamos aqui.",  resistindo.

(**) Trump está de olho no Papa Francisco. Tudo que ele não quer é um Papa com uma agenda progressista. Dia 10/3, na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, às 19 horas, em alusão à Campanha da Fraternidade deste ano, uma proposta do deputado Padre Pedro Baldissera (PT), serei um dos homenageados. Grato pela lembrança.    


 

 

sexta-feira, fevereiro 21, 2025

Mauro Cid não é qualquer delator


Logo após a denúncia encaminhada pela Procuradoria-Geral da República ao Supremo Tribunal Federal envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais 33 pessoas do seu grupo de confiança, começou a guerra das narrativas. Que pelo jeito vão seguir ao longo do ano. Dois anos de apuração de um trabalho incansável da Polícia Federal, resultou num inquérito com muita informação para que os Procuradores pudessem chegar a um entendimento sobre a gravidade do caso. Claro que pela repercussão e desdobramentos todos os fatos apurados devem ter passado por uma apuração rigorosa.

Os aliados do ex-presidente não se conformarem com o resultado, faz parte do jogo. Num juízo de valor político, tumultuando o Congresso como estão fazendo é um tiro no pé. A credibilidade da sociedade em relação aos políticos em geral é muito baixa. Quem está tomando conta das atenções por lá, é o ministro do Supremo Tribunal Federal, Flavio Dino. Com legitimidade pautou temas que o Congresso se esquiva de discutir, mas que estão em total sintonia com a opinião pública. Quem de nós não quer saber sobre as Emendas Parlamentares suspeitas. Flavio Dino, também colocou o dedo na ferida ao apontar para as benesses existentes nos Três Poderes da República, que são indefensáveis aos olhos da população. Sem dúvida os congressistas precisam estar mais atentos ao que fazem. 

Por outro lado, as narrativas dos que protegem os envolvidos nas denúncias da PGR deixam o coronel Mauro Cid mal na foto. Se sair na rua corre risco. Já solicitou como contra partida na delação premiada, segurança para si e seus familiares. A pergunta no meio de tanta versão, é saber melhor quem afinal é o coronel Mauro Cid. Para quem acompanha o caso, Cid, na foto acima, é a pessoa mais próxima do ex-presidente. Os apoiadores do golpe ao demoniza-lo, se esquecem de que o coronel Cid não é qualquer delator. O coronel é um fiel cumpridor de ordens, escolhido a dedo. Um militar, filho de general, moldado para tarefas especiais, treinado para suportar qualquer tipo de pressão.  

Com o sigilo da delação aberto, acabaram as dúvidas. O coronel Cid não entregou o capitão de bandeja. As informações que ele detinha já eram do conhecimento da PF. Nem passou por grandes pressões, como agora querem nos fazer pensar. A possibilidade da delação ser inviabilizada por ter sido obtida de forma ilícita, não se sustenta. O que o coronel Cid fez foi esclarecer as reuniões, encontros, recomendações,  resoluções, atas e gravações que estavam no celular e no seu computador. Nada foi inventado, tudo aconteceu. Simples assim.

Agora que o seu depoimento se tornou público é muito difícil as narrativas sobreviverem aos fatos. Claro que nas redes sociais, algumas pesquisas sob encomenda, influencers e políticos, tentarão manter o assunto. Só que com o tempo a tendência é que a exposição sobre o ocorrido no governo passado, vá perdendo a atenção do público. O Ano de 2025 só começou, mas nos reserva fortes emoções. A princípio o rito do processo dos envolvidos no golpe contra a DEMOCRACIA, não deve sofrer interrupções. Os prazos serão observados e o amplo direito a defesa assegurado. Independentemente do resultado final, algo de positivo aconteceu: quem quiser dar golpe vai pensar duas vezes. O Brasil não é uma republiqueta.      

  


  








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segunda-feira, fevereiro 17, 2025

Lula, a Lua e a Pesquisa...

 

                                                               
                                                             Foto: Pedro Figueirad

Na semana passada, a última pesquisa Datafolha sobre o presidente Lula, tá dando o que falar. Afinal, nenhum fato novo aconteceu para que os índices de satisfação caíssem como caíram. Lula não é nenhuma novidade, se elegeu três vezes e só não se elegeu uma quarta porque não deixaram. Portanto, nenhum outro político foi tão exposto quanto ele, suas virtudes e defeitos são do conhecimento da sociedade o que de certa forma reforça a surpresa com os índices apresentados. Como é difícil entender o que se passou só nos resta admirar a beleza da imagem de uma Lua, que  até mudou de cor diante diante dos índices que a Datafolha nos reservou. (foto acima)

Se nada de anormal aconteceu, a pesquisa precisa ser esclarecida. Não só pelo impacto que causou, mas por suas consequências. Os institutos gostam de dizer que as pesquisas refletem o momento. Se é verdade, melhor "momento" que esse nunca tivemos: o dólar de 6,20 reais está em 5,70, a bolsa vem reagindo acima das expectativas que o mercado previa, o varejo apresentou seu melhor resultados nos últimos 12 anos, o PIB cresceu e as exportações também. Que crise é essa de credibilidade então; senão uma evidente articulação para enfraquecer o governo. (*)

Sinceramente, o mundo tá muito inseguro com as bravatas trazidas pelos ventos do Norte, que não movem moinhos e se recusam a olhar para as mudanças climáticas com a devida atenção. Se colocar contra o Brasil, nessa hora é apostar no pior. Não basta usar o boné "Make American Great Again", o mister de lá já disse que não nos quer. O que puder taxar ele vai taxar, venha do campo, da indústria ou de outros setores.  As consequências dessa turbulência vão muito além das nossas fronteiras e da capacidade que temos de enfrentar o que vem por aí. O que se pode esperar do governo diante tantas ameaças é cautela, lucidez e uma visão atualizada do mundo. 

A pesquisa da Datafolha pelo jeito não tocou nesse assunto, já que é visível que o  presidente Lula vem tratando as demandas que nos chegam com muita responsabilidade. As cartas estão na mesa e é jogo de gente grande. Como nada é por acaso, o governo está trazendo a próxima reunião do BRICs para o Rio de Janeiro e em paralelo a diplomacia brasileira blindando a COP 30 dos efeitos advindos da ausência dos EUA no evento. Em 2025, pelo rumo que as coisas estão tomando, o que não vai faltar são fortes emoções. 

(*) Os institutos de pesquisa, obviamente, vivem de pesquisa. Um mês atrás as pesquisas indicavam o presidente Lula imbatível. Sem que nada acontecesse, perdeu 11% daqueles que o apoiavam. A surpresa foi geral, é muita gente. Milhões de pessoas mudando de lado em tão pouco tempo. Para quem é do meio, nada que novas pesquisas não possam corrigir pelo caminho.      


 

segunda-feira, fevereiro 03, 2025

A dança das cadeiras no Congresso Nacional


                             Lula, Alcolumbre e Motta (Foto: Ricardo Stuckert)

O que aconteceu no sábado passado, dia primeiro, merece atenção e uma reflexão. Um dos Poderes da República, o Legislativo, estava trocando de mãos. Deputados e senadores estavam votando em quem iria conduzir as duas Casas nos próximos dois anos. A dança das cadeiras não animou ninguém, além dos diretamente interessados no assunto. A sociedade em geral, indiferente a farta cobertura dada pela mídia, não demonstrou qualquer disposição em acompanhar o que se passava em Brasília.

Quando isso acontece é preciso pensar muito e encontrar respostas para esse distanciamento. Política não se faz sozinho e ela precisa estar em sintonia com o povo. Boa parte dos partidos políticos que já tiveram um papel importante, perderam o seu rumo. Em parte, se deve a proliferação de siglas que impedem uma melhor identificação do eleitor com o programa partidário. Com raríssimas exceções, é essa a nossa triste realidade.

Outra situação criada pelos próprios congressistas, que agrava esse visível desinteresse pela política, são os Fundos Partidários e as obscuras Emendas Parlamentares. Todos sabem a falta que faz a montanha de recursos que saem do Orçamento da União, só para atender as demandas dos congressistas. É muito dinheiro do orçamento, concentrado nas mãos de poucos. Quem pode acabar com isso é quem criou a mudança, dando ao legislador a função de um agente do Poder Executivo. Por parte da sociedade, que já está com a sua opinião formada sobre isso, se nada mudar, o distanciamento vai se agravar.

Pelo bem do Brasil devemos torcer por uma gestão responsável, de ambos: Hugo Motta na Câmara e Davi Alcolumbre no Senado. Não é hora de vacilar, as ameaças à democracia estão dentro do país e fora dele também. O nosso papel na relação de forças estabelecido pela geopolítica, cresceu muito nos últimos anos. Embora outros interesses internos insistam em tumultuar o quadro, o reconhecimento internacional da importância do Brasil nesse jogo de poder está consolidado.

O inesperado da eleição de cartas marcadas no Congresso Nacional, partiu justamente da rebeldia de um líder da ultra direita mais radical, que prega o ódio por onde passa, o deputado pelo Rio Grande do Sul, Marcel van Hatten. Ao optar por um voo solo, se lançou candidato à presidência da Câmara dos Deputados. Se deu muito mal, teve 31 votos (6% do total). A revolta foi imediata, expos o verdadeiro tamanho dos raivosos dentro do Congresso Nacional. Quem pretendia levantar a bandeira da anistia para os condenados de 8 de janeiro de 2023, agora vai pensar duas vezes. Por essa nem o líder maior esperava.


   

sábado, janeiro 25, 2025

O Papa, a bispa Miriann e Claudia Sheinbaum

Donald Trump deve estar muito incomodado com a Igreja e com o México. Antes mesmo de sua posse o Papa Francisco já cobrava da humanidade cuidado com a "casa comum", a forma carinhosa de Francisco chamar o planeta Terra. Trump não deu bola para o Papa, de pronto retirou os EUA do Acordo de Paris. No seu primeiro dia como presidente Trump e seus familiares foram a missa na Igreja Episcopal da capital. Durante a homilia Miriann Budde, a primeira bispa mulher de Washington, abordou as ameaças do presidente que afetam milhões de imigrantes. Suas palavras duras, precisas e necessárias, deixaram Trump e sua família sem ação. De nada adiantou, os imigrantes começaram a ser expulsos do país. Ao que parece sua primeira investida de deportar imigrantes num avião militar dos EUA para o México, não foi autorizada pela presidenta Claudia Sheinbaum. Se confirmada a notícia as relações estariam abaladas. (Fonte: Washington/Mexico City, 24 jan/Reuters) 

O excesso de visibilidade e o efeito das mensagens nos primeiros dias de governo, foi um tiro no pé. "I Am the Wordl", que poderia ser entendido como um ufanismo eleitoral, logo se transformou em prepotência presidencial. Pelo descaso com os outros, Trump atraiu para si reações desnecessárias pelo seu jeito autoritário de ser. As manifestações vieram de todas as partes do mundo. Em Davos, na Suíça, o recado da União Europeia foi duro. Na América do Norte seus vizinhos Canadá e México, não se calaram. Na América Central o impacto da volta dos imigrantes e a descabida ameaça de retomar o Canal do Panamá, são pedras no seu caminho. Na América do Sul apoio explícito, só mesmo do Milei. Na Ásia o pragmatismo de sempre, um silêncio impenetrável.

Um outro ponto que só causou prejuízo à sua imagem, foi a proliferação de decretos. Pela quantidade exagerada perdem credibilidade na opinião pública. Ainda mais quando se percebe que estão voltados para agradar seus fiéis seguidores. Os decretos em si, em sua maioria, só trazem pontos de discórdia e já nascem fadados ao fracasso. Só para exemplificar, alguém de sã consciência acredita que um decreto pode definir o gênero das pessoas. Ou pior, mudar o Golfo do México para o Golfo da América. Trump não pensa, acha que pode interferir na vida do cidadão americano, no Poder Judiciário do país, no FED o Banco Central dos EUA, no FBI, nos juros, no dólar, nos impostos, na taxação de produtos importados e nas regras do livre comércio. 

Se não bastasse Trump optou por nomear um secretariado extremamente polêmico, muito a seu gosto. As primeiras críticas vieram do seu próprio partido, como aliás era de se esperar. Tanto democratas como republicanos são partidos históricos onde ninguém troca de lado. Ambos já passaram por muitos governos e  estão acostumados com a máquina de governar. Na Rede Linkedln, a maior do mundo, já circula em espanhol quem são seus amigos beneficiados. A repercussão está sendo muito negativa. Afinal, governo não é uma confraria. Por fim, uma semana frenética: é bom estar atento para ver o que vem por aí.